Lá como cá,contestava-se de forma gratuita,e por isso mesmo,aquando da avaria da moto-bomba que em princípio demoraria uns três a quatro dias em termos de reparação,enquanto o arranjo não estivesse feito seria necessário que a secção que estivesse de serviço tivesse o cuidado de colocar a água nos "bidons" dos chuveiros, algo que já não era novidade porquanto os motores já não eram novos e ao longo dos anos passavam por muitas mãos, sendo que nem todos teriam o conhecimento e cuidados necessários para com a sua utilização...
A recusa a esse serviço por parte do pessoal espoletaria da nossa parte uma reacção consentânea ...
Assim,o alferes Dias- que entretanto substituira o "desenfiado" Forte- apoiado pelos três furrieis, decidiu impor novas regras no destacamento que passavam pela obrigatoriedade de um salvo conduto assinado por um dos quatro graduados sempre que algum militar pretendesse sair para a tabanca ou deslocar-se ao DUGAL,assim como pela imposição do uso de fardamento adequado ao militar de serviço na "porta de armas" para além da obrigatoriedade da até então desusada saudação militar a qualquer graduado que ali se deslocasse(em princípio vindo do Dugal ou Chugué...)
Foi a maior prenda que podíamos ter dado ao primeiro Ginja, o unico profissional da companhia...
Na semana de regresso dá-se a tragédia da estúpida morte do Lima e do Afonso caídos de um UNIMOG perto de N´HACRA...
Indescritível o ambiente de consternação que se gerou até ao fim.
Eram dos melhores de todos nós!
A prová-lo está a atitude do Lima levando o miúdo Armando para S.MIGUEL, nos AÇORES, donde era natural,onde seria educado pelos seus pais como se de outro filho se tratasse, fazendo dele o homem que hoje é,com uma licenciatura em HISTÓRIA; ou a atitude do Afonso, talvez o unico minimamente politizado de entre todos nós, que me apareceu um dia,voluntariando-se para o mato munido apenas de um corta unhas...
Um homem de paz, um homem de bem.
Nesta súmula que do CHUGUÉ e de COBUMBA apenas faz uma referência( caberá a alguém do 2ºou 4ºgrupos a tarefa de escrever algo sobre o período ali passado..)procuro dar,em breves pinceladas,um esboço ténue do que foi a nossa vivência na Guiné.
Os medos,as frustrações,as muitas alegrias que,indubitávelmente existiramna ocupação de um tempo quese limitava,irritantemente a caracolear,ao invés de voar como era desejo de todos...
Os jogos de pocker e de King para além da tradicional suecada...
As paciências ou o famoso campeonato de subutteo...
As petiscadas com passarinhos fritos...
A tentativas de escrever um livro de cow-boys a meias com o Moura para oferecer ao Dias que os devorava...
A partilha semanal com o Moura nos "discos pedidos" para o "Pifas" sempre com a mesma música durante longos meses...
A impossibilidade de ler fosse o que fosse (era difícil a concentração...)
Os copos s rodos que emborcávamos à espera não de GODOT mas...do dia seguinte...
A visita das lavadeiras...
Os jogos de futebol na parada de BISSUM...
A horta que o Cepeda laborou de cujo menmtor foi o 1º Ginja mas que me teve como colaborador ao trazer, aquando das primeiras férias,as necessárias sementes...
A praxe feita ao bom do Teixeira quando o pusemos noite inteira a tomar conta dum morteiro( não fosse ele o responsável pelas armas pesadas...)
As brincadeiras do Teixeira com o 1º Ginja que o levavam primeiro à histeria mas depois à saudável gargalhada acabando por se tornar num verdadeiro miliciano...
Tudo isto me ocorre numa velocidade estonteante...
Nestes poucos almoços de confraternização que levamos, ´~ao tem sido possível rever uma boa parte do pessoal, o que lamento.
Como remate final gostaria,uma vez mais,de enaltecer o trabalho do Teixeira e do Cordeiro, incansáveis no titânico esforço de pesquisa e acção conducentes à materialização daquele que foi o primeiro encontro, volvidos trinta anos da chegada de África, possibilitando assim o não menos válido trabalho organizativo demonstrado pelos que se lhe seguiram e seguirão,estou certo.
Estes encontros,embora breves,são extremamente salutares ao propiciarem o rememorizar de tempos de juventude, das aventuras por que passamos, de solidariedades vividas em torno dum comum projecto que acabamos por abraçar sem o termos requerido...
Voluntários à força,é certo,mas que graças a essa partilha de sofrimentos, de vivências atribuladas, voltaríamos a repetir quanto mais não fosse para termos conhecido aquele território carente de tudo, mas inexplicávelmente atractivo.
África tem essa faceta de mulher fatal capaz de inebriar,de seduzir...
Estou certo de que não estará fora das cogitações de todos,voltar um dia para sentir o cheiro da terra após as primeiras chuvas; ouvir o bater das asas,em uníssono, das "nuvens" de largos milhares de pequenas aves no alvorecer dos dias do Cantanhez; pescar percas no pequeno braço de rio de Fatim, sem carreto, munido apenas de um varapau com um bocado de linha e um anzol; passear de sintex no imenso Cumbidjã;
abraçar aquela gente simples que nos rodeava junto ao quartel; asistir às suas festas,respirar ar puro,livre desta poluição que nos mina e desta podridão política que nos esmaga intelectualmente.
Bom seria que em Maio próximo pudessemos rever o alferes Prata, o Lérias, O Cruz, o Cardoso,o Valadas,o Silva, o Campos,o Arrentela, o Índio,o Fernandes,os furrieis Navega,Cortez,Brito,Almeida,o alferes do mesmo nome,e tantos outros cujas identidades agora não me ocorrem.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
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